Ditadura democrática

É curioso que o único candidato Presidencial assumido seja Joaquim Monteiro. Não falta assim tanto tempo para as Eleições Presidenciais e perante o ciclo eleitoral de 2016, seria importante que os pretendentes ao cargo se assumissem. O actual PdR tem alimentado o tabu em torno da sua recandidatura nos últimos meses. No período de campanha eleitoral para as legislativas assumiu que só abordaria esse assunto após o acto eleitoral. As legislativas já lá foram e Jorge Carlos Fonseca continua sem se assumir como candidato, isto numa altura em que todo o país já percebeu que será mesmo recandidato. A questão aqui é tentar perceber o porquê desta estratégia?

É unânime entre os analistas políticos nacionais e internacionais que “não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta”. Se analisarmos bem a situação política actual, o MpD está no Governo, na Presidência e em 13 das 22 autarquias. Vivemos quase num regime de ditadura democrática e seria importante haver um equilíbrio de forças, algo que pode ser desde já alcançado através de uma divisão mais equitativa do número de autarquias, de forma a proteger os interesses dos Cabo-Verdianos.

O “tabu” criado por Jorge Carlos Fonseca sobre a sua recandidatura visa colocar de parte a discussão pública que deve ser feita sobre se o cabo-verdianos querem ou não ter uma ditadura democrática liderada pelo MpD. Está na hora de este tema entrar definitivamente na agenda mediática nacional e de uma vez por todas José Carlos Fonseca se assumir como candidato.

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